Havia luz e verdade em demasia em Jesus. Sua palavra, "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", era intolerável. Os anciãos decidiram que homens e mulheres eram simplesmente incapazes de serem livres; dessa forma a Igreja atribuiu a si mesma a função de proteger as almas confiadas a ela, proteção a ser prescindida apenas quando absolutamente necessário. Pessoas comuns são incapasses de suportar o fardo da liberdade, pelo que a Igreja retirou-o delas, para o seu próprio bem. As pessoas apenas usariam e abusariam dele de quaquer forma. Libertas da ansiedade e do tormento da decisão pessoal e da responsabilidade, as pessoas podiam sentir-se seguras e felizes na obediência à autoridade.
"As pessoas ficaram impressionadas conosco', o Grande Inquisidor diz a Jesus, ' e pensarão em nós como deuses, porque nós, que nos dispusemos a libertá-las, estamos prontos a suportar a liberdade, essa liberdade a qual elas fogem com horror; e porque estamos prontos a exercer domínio sobre elas - de modo que no final ser livre parecerá para elas coisa terrível. Mas nós diremos que estamos te obedecendo e governando apenas em teu nome. Igualmente nós as estaremos traindo, pois não deixaremos que tenhas mais qualquer coisa a ver conosco'. De fato, ' Por que vieste nos atrapalhar? ' O Grande Inquisitor quer pegar esse Jesus que veio novamente, trazendo liberdade novamente, e queimá-lo como herege em nome da Igreja.
A questão torna-se não " O que Jesus diz?", mas "O que a Igreja diz?" Essa pergunta ainda é feita hoje em dia.
Brennan Manning e Hans Küng